quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

2-Andares originais de Londres: esses bichos são longevos!

https://omensageiro77.wordpress.com/2015/10/01/do-kremlin-ao-big-ben/
Origem das imagens: internet - créditos mantidos.
Local:
Londres, Inglaterra.
Data:
2000.
Viação:
???
Carroceria:
Routemaster 2-Andares.
Motor
???
Observações:
Note o moderno automóvel Mercedes-Benz a esquerda, mostrando que a foto é recente, tirada já nesse milênio.

Londres, Inglaterra, ano 2000. Velho 2-andares fabricado nos anos 50 (no máximo começo dos 60) ainda na ativa. Vermelhos, é claro. A cidade que consagrou os 2-andares consagrou-os rubros. 
 
Eram de carroceria 'Routemaster’, esse modelo reinou inconteste na terra da rainha de 1956 a 2005: a característica indelével é essa cabine ‘pela metade’, só o espaço do motorista era avançado, na metade esquerda do veícuo o capô do motor (dianteiro) ficava proeminente. Meio ‘cara-chata’ e meio bicudo? Routemaster! 

Os Routemaster londrinos só tinham 1 porta, na traseira.

E esses bichões pioneiros foram hiper-longevos. Produzidos a partir de 1956, pouco depois da segunda guerra mundial, chegaram a rodar – em linha urbana regular – depois da virada do milênio. Até 2005 repetindo. Foram portanto quase 5 décadas de uso ininterrupto em alguns exemplares (certamente bem mais de 4 décadas na frota toda).

Até os anos 80 e começo dos 90 eles eram soberanos nas ruas de Londres, mesmo já sendo bem veteranos. Somente na segunda metade dos anos 90 começaram a aparecer 2-andares mais modernos.

E durante algum tempo as diferentes gerações conviveram, óbvio: circulavam lado-a-lado os pioneiros, já com perto de 40 anos (pelo menos 30) de uso, junto com os novinhos em folha, ainda cheirando a fábrica.

Tem mais: quando enfim eles foram aposentados das linhas regulares, uma linha, a 15 os manteve. Em 2023, quando atualizo a postagem, alguns Routemasters ainda puxam essa linha. São quase 7 décadas na ativa, estão quase empatando com os tróleibus do Chile que falo logo abaixo.

Seguem vermelhos e com 2-andares, mas agora com 2 portas.

Os vermelhões 2-andares londrinos cumpriram dessa forma na Europa o mesmo papel dos tróleibus na América: décadas e décadas no asfalto, sem tirar de dentro!

Em São Paulo, Santos e Araraquara (todas no estado de SP, evidente) e também no Recife-PE velhos tróleis, fabricados nos anos 50, rodaram até a mesma época dessa imagem acima, a virada do milênio. Portanto igualmente puxaram 50 anos sem pedir arrego.

E mesmo hoje na Grande São Paulo e em Santos há tróleis com 30 anos ainda em uso (do modelo Marcopolo Torino e Mafersa, respectivamente); portanto um museu vivo!

………

Voltando a Londres. A capital inglesa/britânica teve articulados ´por uma década, de 2001 a 2011. Mas foram retirados de serviço
 
Um pioneiro seguido de um mais novo.

Lá eles preferem mesmo os ônibus com escada e segundo pavimento. E, ao contrário do que alguém poderia supor, não são todos os ônibus da cidade que têm 2 andares. Há muitos com somente 1 andar. 
 
Só que os favoritos são mesmo os ODA (sigla de Ônibus Dois Andares). Hoje são todos modernos, vão longe os tempos que rodavam antiguidades com décadas de uso - exceto na linha que ficou "de herança".

Entretanto, durante a maior parte da segunda metade do século 20 os pioneiros dominaram incontestes. Entrava década, saía década, eles continuavam lá, firmes e fortes.

Algumas características marcantes (além da pintura vermelha): eles eram cobertos de propaganda, como nota. E mais: só havia uma porta, na traseira. Todos entravam e saíam por ela, o que obviamente não era nada prático no horário de pico.

Essa era uma característica britânica indelével, que ainda gera frutos ao redor do globo. Estive na África do Sul em 2017, país de colonização anglo-holandesa como todos sabem. Pois bem. Até hoje a imensa maioria dos ônibus sul-africanos – tanto de 1 quanto 2 andares – conta com somente uma porta.


Há uns poucos veículos com 2 portas. Não há ônibus com 3 portas no território sul-africano (exceto articulados). Na África a imensa maioria dos busos ainda honram a tradição britânica, e só têm 1 porta.

De 2001 a 2011 a capital inglesa teve articulados.

Mas na própria Inglaterra esse arcaico costume foi abandonado: os ônibus modernos de Londres – novamente, tanto de 1 quanto 2 andares – contem com 2 portas. Agora enfim os ingleses se igualaram ao que já é feito em todo planeta nesse quesito, você entra no coletivo por uma porta e sai por outra, facilitando imensamente a circulação interna no salão do veículo.

Bem melhor, né? Bom, no Chile existiram ônibus pitocos (não-articulados) com 4 portas!!! Sim, é verdade. Nem precisa tanto. Em se tratando de veículos não-articulados, 1 é pouquíssimo, 2 é pouco, 3 é o ideal, e 4 já é muito, concordam?
..........

Voltando aos 2-Andares. No Brasil eles existiram (em transporte urbano regular) em São Paulo capital, Goiânia-GO - nesses 2 primeiros casos vermelhos como na 'matriz' inglesa -, Recife, Osasco (também na Grande São Paulo) e Uberlândia-MG.

Isso, repito, em linha urbana regular, que todos podem pegar e que têm tarifa normal. Hoje os 2-Andares, no Brasil e em boa parte do globo, são os preferidos pra fazerem 'Linhas-Turismo', mas transporte regular não mais. 

Big Ben e 2-andares (e esse é Routemaster).
Matéria completa:

Inaugurando esse modal no transporte de massas em nosso país. E eles eram exatamente na mesma cor que os de Londres, que os inspiraram.

Além da capital paulista Osasco (também na Grande SP), Goiânia-GO, Recife-PE e Uberlândia-MG contaram com esse tipo de veículo no transporte urbano. Atualmente só rodam em nosso país nas chamadas ‘Linhas-Turismo‘.

Mostro também os 2-andares na Grã-Bretanha, Europa continental e em várias ex-colônias do império britânico.

SÉRIE "2-ANDARES NO BRASIL":

- SÃO PAULO, A GÊNESE EM NOSSA NAÇÃO 

  • (vermelhos como na 'matriz' inglesa, e por 'gênese' me refiro a época contemporânea, os pioneiros cariocas já extintos há muito)

2-ANDARES PELO MUNDO:

  •  LONDRES, INGLATERRA, A GÊNESE EM ESCALA GLOBAL (essa matéria que acabam de ler)

- JOANESBURGO, ÁFRICA DO SUL

 

3 ANDARES EM BERLIM, ALEMANHA

 

- BONDE DE 2 ANDARES EM HONG KONG, CHINA - como sabem, colônia britânica até 1997 

 

 

Rodo-trem na Austrália.

A Saga da Transgenia Automobilística/Busófila vai Continuar!

Buso com 3-andares aposto que você nunca viu.

Existiu, em Berlim/Alemanha, um século atrás (publicado em 2022).

Mais um pouco teria elevador! Seria totalmente inviável atualmente.

Ônibus-Zepelim em Belém do Pará.

Hoje as cidades têm muito mais viadutos que no século passado.

Seguem as matérias, onde documento centenas de casos como os dessas fotos:

TRANSGENIA BUSÓFILA (E AUTOMOTIVA EM GERAL)

TEM QUE VER PRA CRER: SEGUE A ‘TRANSGENIA AUTOMOTORA’

BUSO-TREM, BUSO-BARCO BRASUCA, BONDE 2-ANDARES: MAIS TRANSGENIA MUNDO AFORA

RODO-TREM, MONOBLOCO ARTICULADO, PÉ-GIGANTESCO, MEIO-A-MEIO: É CADA GAMBIARRA (TRANSGENIA)!!

Ao lado uma Kombi-Avião! Não sei se voa de verdade, sendo sincero.

 

E já que falamos do Fusca:

 


Reportagens  sobre o tema:

Cid. do Cabo, África do Sul, 2017.

O CARRO DO POVO 

Vamos homenagear o carro mais vendido da história do planeta Terra.

Claro que só pode ser o nosso querido Fusca.

Foram nada menos que 21 milhões de unidades, de 1938 a 2003.

Oficialmente lidera a lista o Toyota Corolla, com 40 milhões – e contando, ainda está sendo feito.

Fusca/Rolls-Royce“???

Seguido do Golf, da própria Volks, com 25 milhões, igualmente permanece ativo na linha de montagem.

O Corolla começou em 1966 e é fabricado até hoje.

(Os dados são de 2018, quando escrevo.)

Porém, apenas o nome se manteve. 

O desenho do carro, sua carroceria, mudou muito.

Busque na internet um Corolla dos anos 60 e alinhe com um atual.

Etiópia/África: Fuscarroça!!

Ficará evidente que não se trata do mesmo carro, malgrado tenham idêntico nome. 

O mesmo ocorreu com o Golf, que se iniciou em 1974.

Já o Fuscão velho de guerra vendeu 21 milhões do mesmo carro, mesmo desenho.

Portanto até hoje o carro mais vendido da história.

Se serve de consolo, o velho Golf, o original, é o carro mais vendido da história da África do Sul.

Lá os Fuscas são populares até hoje como relíquia.

No entanto o carro do povo, o que transporta as multidões, é o clássico Golf.

O modelo antigo, que foi lançado em 1974.

Ao lado: vários táxi-Fuscas na mesma esquina em Acapulco/México.

Em 2012, 90% dos táxis de Acapulco ainda eram os bons e velhos Fuscas (*).

Continuando na mesma frequência:

Táxi/Fusca de Curitiba, anos 80.

MAIORIA DE TAXI-FUSCAS EM CURITIBA: EM 1980, CLARO

Fiz uma postagem mostrando fotos antigas da Rodoviária de Ctba. . Dali se desdobrou essa postagem.

Que originalmente mostrava apenas a fila de táxis no local, em 1980: são 7 Fuscas contra 1 Corcel1 da Ford.

A partir daí ampliei a postagem, pra mostrar Fuscas operando como táxis em diversas cidades do Brasil e América.

 


Assim como a Inglaterra, a Alemanha gosta de ônibus 2-andares, não é de hoje

 

Na capital da Alemanha no período entre-guerras (a "República de Weimar", quando a inflação era galopante) eram bastante comuns os busos 2-andares. 

 

Veja ao lado a festa pelo início da produção em série do Fusca, em 1938. A celebração incluiu um desfile no Portão de Brademburgo. 

 

Aparecem na imagem não apenas um mas dois ônibus de 2-andares.

 

Apesar das enormes dificuldades, foi um período de grande desenvolvimento da engenharia alemã. 

 

Além do ônibus com 3 andares e o carro que até hoje é o mais vendido da história da Terra eles criaram também o Zepelim, um balão que tinha motor, digamos uma espécie de antecessor do avião.

 

Na foto ao lado sobre o Rio de Janeiro, evidente. A orla quase sem prédios. Infelizmente um Zepelim pegou fogo perto de Nova Iorque-EUA em 1937, matando 36 pessoas e pondo fim ao projeto. 

 

Já que falamos do Rio, abaixo o famoso "Chope-Duplo".

 
Foi o primeiro ônibus 2-andares do Brasil, começou a cortar as ruas do Rio de Janeiro (então a Capital Federal) em 1928.

Além de tudo os bichões são 'Tribus' (trucados, com 3 eixos).

Viram? Realmente não conseguimos igualar a Alemanha e seus busões com 3 andares!

Mas na mesma época que a Europa se orgulhava de seus 2-andares, o Brasil também contava com o mesmo modal.
 

Deus proverá

sábado, 16 de fevereiro de 2019

"o mundo é 'bão', Sebastião"

 
Autoria própria. Imagem de livre circulação, desde que os créditos sejam mantidos.
Local:
Grande Curitiba-PR.
Data:
Agosto de 2018.
Viação:
Viação Colombo.
Carroceria:
Marcopolo Viale.
Motor
???
Observações:
Com o selo da Comec após a porta. Até 2015 mesmo os ônibus metropolitanos não-integrados ostentavam o selo da Urbs (prefeitura de Curitiba). Outro detalhe, agora boa parte das viações metropolitanas também traz uma placa com o itinerário, como as linhas municipais de Ctba. o fazem desde os anos 70 – até pouco tempo atrás, entre as inter-municipais apenas a Viação do Sul contava com essa placa com itinerário, nas demais não havia esse conforto pro usuário

Colombo, Zona Norte da Gde. Curitiba, 2018. Viale da Viação Colombo faz a linha convencional (não-integrada, vai pro Centro de Curitiba) São Sebastião.

Obviamente no título pegamos uma carona na música de Nando Reis. Ouçam o ex-Titãs cantando “O Mundo é Bão, Sebastião”.

Voltemos a falar do busão, que é o que nos interessa aqui. Até 2016, entre as linhas radiais da Viação Colombo todas elas na prática eram convencionais e não-integradas.

Por linhas 'radiais' me refiro as que saem do Centro de Curitiba e vão até os bairros de Colombo, fossem suas vilas ou o Centro político (a “Sede”) do município.

Sim, em 2009 havia sido inaugurado o Terminal da Roça Grande na Rodovia da Uva (“Estrada Nova de Colombo”, a PR-417). E olhe que já não foi fácil. O Roça ficara pronto em 2006. Ficou 3 anos pronto, mas abandonado, fechado. Foi totalmente saqueado por ladrões. Pra ser inaugurado teve que ser praticamente reconstruído. Em 2009, após 3 longos anos de espera, enfim o foi.

Mas ele foi inaugurado errado. Simplesmente as linhas que já passavam pela rodovia passaram a entrar no terminal. Porém nenhuma dela mudou seu trajeto.

Ou seja, não houveram novas opções de integração. Eram 6 linhas, mais ou menos, que saiam dos bairros de Colombo, todas elas entravam no terminal, e na sequência todas elas seguiam o mesmo trajeto até o Centro da Capital.

Oras, quem vai descer de um ônibus (onde se o passageiro pegou perto do ponto final ele está sentado), ficar perdendo tempo num terminal esperando outro pra quando esse outro chegar ele ir de pé numa linha que faz exatamente o mesmo trajeto que ele já estava??? Ninguém, obviamente.

Na volta da Capital era o mesmo. As 6 linhas saíam do Centro de Curitiba e tinham o mesmo trajeto até o “terminal”. Só depois dali se dividiam. Novamente, se a linha que o cara precisa sai e passa pelos mesmos locais, por que alguém vai pegar outra, descer no terminal e perder tempo pra baldear? Evidentemente que ninguém fará isso, ele já pega sua própria linha.

Resumindo, o “Terminal” Roça Grande de 2009 a 2016 não era um terminal, era um 'ponto de parada de luxo'. De luxo, só que inútil. Não agregava novas opções de integração, praticamente.

De 09 a 16 só haviam 3 linhas integradas de fato no Roça Grande, e todas elas de pouca demanda, pois iam pra outros terminais de Colombo mesmo ou do vizinho município de Almirante Tamandaré. Sempre com intervalo igual ou maior que 45 minutos entre as viagens, em vários casos mais de uma hora. E dessas 3 antes de 2016, a única linha integrada que era operada pela Viação Colombo era a Maracanã/Cachoeira (via Roça Grande).

Até então, a principal linha da Viação Colombo era a Ctba/Colombo (que antigamente era chamada 'Colombo Nova', porque ia pela 'Estrada Nova', em oposição a linha que se chamava 'Colombo Velha', que usava a 'estrada velha'). A Ctba/Colombo era a única que tinha articulados, somente no horário de pico.


Enfim, após 7 longos anos de espera - 10 se adicionarmos mais os 3 em que ficou pronto e fechado – o Roça Grande enfim um terminal de verdade, com linhas alimentadoras que têm ponto final ali, e uma linha troncal com articulados ligando-a ao Centro.

Em 2017, o movimento do Roça Grande aumenta ainda mais, pois aí a linha Ctba/Colombo é seccionada e também passa a ter ponto final no Roça Grande. Ou seja, a partir de agora, não é mais possível ir do Centro de Colombo a Curitiba sem trocar de ônibus, se torna mandatória a baldeação no Roça, o que impulsionou significativamente o movimento do terminal.

Ou seja, até a antiga linha principal da viação, até 2016 a única que tinha articulados, passa a ser alimentadora. Então inverteu, a maioria das linhas da Viação Colombo passa a ser integrada.

Algumas linhas, entretanto, permanecem convencionais não-integradas. Dessas, a São Sebastião aqui mostrada é a principal. Tem intervalo fora do pico de 33 minutos. As demais linhas não-integradas têm intervalos fora do horário de maior movimento de 50 minutos, ou mesmo nem sequer operam fora do pico, só puxam poucas viagens por dia na hora 'que o bicho pega' mesmo.
………

Voltando ainda mais no tempo, vemos que o ônibus é bege, cor usada em boa parte das linhas metropolitanas (mas nem todas, algumas copiam as cores do municipal de Curitiba). Até o começo dos anos 90, a pintura das viações metropolitanas era livreveja ensaio na garagem da Viação Colombo, que então era grande cliente da Caio.

Aí o governo estadual padronizou a pintura. A princípio, cada região da cidade (me refiro a Grande Curitiba) deveria ter uma cor específica. Os ônibus de Colombo, tanto da Viação Colombo quanto da Santo Antônio, ficaram roxos. A Colombo logo padronizou toda sua frota de bege, ainda nos anos 90. 

A Santo Antônio demorou um pouco mais. Manteve sua frota em roxo até depois da virada do milênio, até 2002, 2003, pelo menos. A seguir a Santo Antônio (agora chamada 'Santo Ângelo' por razões jurídicas) adotou a mesma pintura dos municipais de Curitiba, e por fim atualmente existem alguns ônibus da S. Antônio/S. Ângelo em bege.

A Viação Colombo, entretanto, tem toda sua frota 100% bege desde os anos 90, desde a época que ela comprava Caio 0km – o Alfa foi seu último modelo. Depois disso, ela ficou mais de 2 décadas sem adquirir Caio, até que a partir de 2015 comprou seus primeiros articulados, e eles eram Caio – a 1ª leva veio usada de Belo Horizonte, depois chegaram alguns de São Paulo.

Matérias sobre o tema: