quarta-feira, 16 de junho de 2021

Primeira padronização de SP: "Saia-&-Blusa" (1978-1991)



Imagens pertencentes aos sítioss Revista Portal do Ônibus. e Ônibus Brasil. Créditos mantidos. Visite as fontes.
 

Até a década de 70 os ônibus de todo Brasil tinham pintura livre. Em 1978 foi implantada na maior metrópole brasileira (a capital paulista evidente) a sua 1ª padronização, a chamada 'Saia-&-Blusa' (S&B), que vigorou até 1992. 

A cidade foi dividia em 9 faixas, cada uma com uma cor. A pintura tinha esse nome porque a metade inferior da lataria (a 'saia') tinha que ter a cor da região que a viação operava, ou seja, era compulsória - vide o mapa acima. A cor da parte superior do busão (a 'blusa') era livre, a viação escolhia. No entanto, repetindo, a 'saia' tinha que ser conforme o bairro que a viação operava:


Faixa 1: Zona Norte, saia marrom. Viações Brasil Luxo (01), Nações Unidas (02), Parada Inglesa (02) e Alto do Pari (03). Várias delas – senão todas – eram do grupo Sambaíba, razão-social que depois foi unificada como nome-fantasia pras empresas do conglomerado.

Por compartilharem a numeração, N. Unidas e P. Inglesa devem ter formado consórcio com prefixo 102 de 78 a 82.

Bairros e linhas: Santana, Imirim, Lauzane Paulista, Cachoeirinha, Horto, Mandaqui, Tremembé, Tucuruvi, Jaçanã, Vila Maria, Vila Guilherme e Pari;

2: Zona Leste, saia amarela. Viações Penha-São Miguel (04) e São José (05).

Anteriormente também Viação Leste-Oeste. Essa viação e a São José formaram o Consórcio Leste-Oeste (numeração 105).

Bairros: Penha, São Miguel Paulista, Itaim Paulista, Ermelino Matarazzo e Cangaíba;


3: também Zona Leste, saia rosa – pelo menos assim deveria ser.

Entretanto a partir de 1982 os empresários se recusaram a pintar os ônibus de rosa, e adotam um laranja avermelhado (falamos mais disso logo abaixo.)

3 viações vieram de outras partes da cidade, convidadas a assumirem essa faixa da Zona Leste: as viações São Paulo e Tabu são oriundas da Zona Norte, e a Pompéia – como o nome indica – da Zona Oeste.

Viações Vila Ema (09), Tabu (06), Santo Estevam (07), Paulista (09), São Paulo (06) e TransLeste (numeração prefixada com 08, essa fez o movimento inverso, posteriormente chegou a operar também na Zona Sul).

Anteriormente também Viação São Mateus (07), Vila Carrão (07), Cia. Auxiliar (08) e Pompéia (essa logo saiu do sistema assim não chegou a ter numeração abaixo de 100 mil).

Aqui foram vários consórcios: um entre Tabu e Pompéia, sem nome próprio (Os busos receberam prefixo 106, desfeita a parceria mantiveram idêntica pintura, em breve a Pompeia encerrou as operações);

Outro quando Santo Estevam e Vila Carrão se uniram no Consórcio Aricanduva (nº dos ‘carros’ com prefixo 107);

Também Cia. Auxliar e Viação TransLeste no Consórcio Sudeste (prefixo 108); por fim, Empresa Paulista e Vila Ema formaram o ‘CooperNove‘, nome inspirado no prefixo 109 que compartilhavam.

Bairros abrangidos pela faixa 3 do ‘Saia-&-Blusa’: Tatuapé, Mooca, Vila Prudente, Sapopemba, São Mateus, Cidade Tiradentes, Guaianases, Itaquera e Vila Carrão;

4: Zona Sul, saia azul-escura. Viações Taboão e São João Clímaco  

(As duas pertencentes ao mesmo dono, formaram consórcio, este desfeito mantiveram ambas numeração com prefixo 10 e idêntica pintura);

E viação Bristol (11).

Bairros e linhas: Ipiranga, Sacomã, Zoológico, Aclimação, Saúde, Heliópolis, Parque Bristol, Jardim Clímax e Vila Arapuá;

5: novamente Zona Sul, saia azul-clara. Viações Paratodos e Tupi, numeração individual das duas prefixada 12 após 1982 (no início formavam o Consórcio Jabaquara, que usava o prefixo 112).

E mais as viações Mar Paulista e Canaã (mais um consórcio, depois dele desfeito mantiveram ambas numeração 13). Eram do mesmo dono.

A Cia. Auxiliar, da Zona Leste, faliu em 1984. Assim a Canaã e a Mar Paulista chegaram a operar também na Z/L, no lugar dela. Por 2 anos, até 1986, quando a CMTC assumiu as linhas.

Posteriormente saíram de cena ambas, Mar Paulista e Canaã, chegou a Viação Zona Sul (numeração igualmente começada em 13). Por fim, essa também deixou de existir e veio da Z/L a Viação TransLeste (que na Zona Sul da mesma forma operou com numeração 13).

Bairros e linhas: Aeroporto, Vila Mariana, Jabaquara, Americanópolis, Cidade Ademar, Pedreira, Divisa de Diadema, Vila Santa Catarina e Cupecê;

6: ainda Zona Sul, saia vermelha. A única que contava com articulados dentre as viações particulares: viações Bola Branca e Nossa Senhora do Socorro, ambas numeram a frota com o prefixo 14 (no início formavam consórcio, depois desfeito, que usava o 114).

E também viações Jurema (15), São Luiz (16) e Tânia e Gatusa, as duas últimas tinham idêntica pintura e compartilhavam o prefixo 17 (pois no começo do ‘Saia’ se uniram em consórcio, que usava o prefixo 117).

Bairros e linhas: Morumbi, Brooklin, Capão Redondo, Jardim Ângela, Parelheiros, Grajaú, Interlagos, Santo Amaro, Itaim-Bibi, Jardins, Ibirapuera, Moema, Campo Belo, Paraisópolis, Jardim São Luiz, Valo Velho e Parque Santo Antônio;

7: Zona Oeste, saia laranja. Viações Bandeirantes e Santa Cecília tinham em comum o numeração começada com 18 e mesma pintura (a causa, mais uma vez, é que no início formaram consórcio, que tinha prefixo 118).

E Castro e Santa Madalena (igualmente consorciadas no princípio sob prefixo 119, após desfeita a união mantiveram numeração iniciada em 19 mas diferenciaram suas pinturas).

Bairros e linhas: Butantã, Jaguaré, Rio Pequeno, Vila Sônia, Pinheiros, Educandário, Alto de Pinheiros, Jardim Jaqueline, Jardim Bonfingnoli, Jardim João 23, Jardim Arpoador.

Também Campo Limpo (embora esse último pertença a Zona Sul, na divisão do Saia-&-Blusa ficou com as empresas da Z/O);

8 Zona Oeste, saia verde-escura. Viações Gato Preto, Santa Madalena (ambas com prefixo 20) e Santa Brígida (cuja frota começava com número 21, a princípio formou consórcio com a viação Pirituba usando prefixo 121).

No início também viações Ipojuca e Pirituba, mas essas logo saíram do sistema, não chegaram a operar com prefixo abaixo de 100 mil.

A Gato Preto participou de nada menos que 3 consórcios: com as viações Ipojuca, Gato Branco e Santa Madalena.

Gato Preto e S. Madalena são pertencentes ao mesmo dono, formaram consórcio de prefixo 120, este desfeito mantiveram ambas numeração 20 mil e idêntica pintura.

Além disso, no início existia a viação Gato Branco, que igualmente de mesmo dono, e que da mesma forma chegou a formar consórcio com a Viação Gato Preto, o prefixo também era 120.

A Gato Branco logo foi extinta em SP, hoje há uma Viação Gato Branco – mais uma vez do mesmo proprietário – em Foz do Iguaçu-PR).

Bairros e linhas: Lapa, Barra Funda, Perdizes, Pompeia, Pacaembu, Água Branca, Vila Leopoldina.

Também Pirituba, Jardim Pan-Americano e Cidade d’Abril (embora esses 4 últimos pertençam a Zona Norte, na divisão do Saia-&-Blusa ficaram com as empresas da Z/O);

9: Zona Norte, saia verde-clara. Viação Tusa (22), e Viação Brasília (numeração iniciada em 23, empresa extinta no meio da década de 80).

No princípio havia também Viação Santa Amélia, que formou consórcio com Brasília, prefixo 123, mas essa encerrou as atividades antes ainda que sua parceira no consórcio

Bairros: Freguesia do Ó, Limão, Casa Verde, Vila Nova Cachoeirinha, Brasilândia, Jaraguá e Parada de Taipas.

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Como você notou, o sistema começa e termina na Zona Norte, ali estão as faixas 1 e 9 do Saia-&-Blusa. Outra coisa, como a Z/O é bem pequena, algumas linhas laranjas ‘transbordavam’ pra vizinha Zona Sul. Enquanto outras em verde-escuro ‘invadiam’ o começo da Zona Norte. 

Abaixo listo as viações que operaram nos anos 70 e encerraram as atividades em 1978 por não terem sido escolhidas pra participar do Saia-&-Blusa (entre parênteses a área de atuação) - a fonte é o sítio GuaruBus:

Zona Sul: ABC T.C. (Itaim-Bibi, Brooklin), V. Campo Belo (C. Belo, Brooklin, Cid. Monções) – não confundir com a Campo Belo atual, que foi criada no Municipalizado, A.V. Caribe (Itaim-Bibi, Brooklin);

Ainda Z/S: V. Jardim Míriam (Jd. Míriam, Jabaquara, Americanópolis), V. Moema (Moema), V. Monções (Cidade Monções), V. Rio Bonito (S. Amaro, Interlagos, Grajaú), V. Santa Cruz (Ipiranga);

Encerrando a Zona Sul: V. São Benedito (Jabaquara, Planalto Paulista), ÚTIL – União Transp. Interm. Ltda. (Praça da Árvore, Saúde), V. Tupinambá (Jabaquara)

Zona Leste: E.O. Alto da Mooca (Mooca), V.A.O. Itaquera (Itaquera, S. Miguel Pta., Guaianazes), V.U. Penha (Penha) – não confundir com a Penha/São Miguel, V. São Lucas (Pq. S. Lucas);

Zona Oeste: E.A.O. Anastácio (Lapa, V. Mangalot), A.V. Braspol (Butantã, Pq. São Domingos), V. Centro-Oeste (Butantã), Transcolapa S.A. (Lapa);

Zona Norte: V. Brasilusa (Santana, Pq. Edu Chaves), V. N. Sra. da Consolata (Santana, Imirim, Casa Verde);

Concluindo a Z/N: V. Estrela D’Alva (Santana, Imirim, Lauzane Paulista), V. Moinho Velho (Freguesia do Ó, Bairro do Limão), V. Néfer (Tremembé, Jaçanã),

Portanto foram perto de 24 empresas barradas no início da padronização. Enquanto que mais de 40 viações operaram o ‘saia-&-blusa’, por períodos de tempo variados.

Apenas 3 continuam ativas (2019):  Gatusa (Zona Sul), Gato Preto (Zona Oeste) e a Santa Brígida (Zona Norte, mas divisa com Oeste).

De resto, todas as outras mudaram suas razões sociais.Até 2018 a Tupi da Zona Sul ainda existia, fazia companhia a Gatusa, Gato e S. Brígida. Mas na virada pra 19 a Transporte Urbano Piratininga (‘Tupi’) veio a pique.

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ÔNIBUS EM COR-DE-ROSA, NEM PENSAR: ESSE É O VERDADEIRO TABU !!!

Agora que a coisa começa a ficar interessante. A faixa 3 do 'S&B', na Zona Leste, foi escolhida pra ser rosa. E nos primeiros 4 anos, de 1978 a 1982, foi. 

Porém em 1982 os empresários frotistas se revoltaram contra essa determinação, e passaram por sua própria contar pintar seus ônibus na porção inferior de um laranja-escuro, que alguns preferem chamar de 'salmão'.

Como já escrevi na matéria "SP: a Revolução no Transporte", que mostra tudo detalhadamente e ricamente ilustrado:

A questão é que os empresários resistiram a pintar sua frota de rosa. Digo, o fizeram por um breve período, mas logo voltaram atrás e desfizeram.

Eis a cronologia de como tudo se deu, como um leitor corretamente apontou: Em 1978, os busos foram caracterizados de rosa, como a legislação determinava. Mas já em 1982, apenas 4 anos depois portanto, os frotistas da faixa 3 da Zona Leste repintaram os ônibus.

 
EIS AS FAIXAS DA PADRONIZAÇÃO 'SAIA & BLUSA' (A série está completa, do 1 ao 9):

1-  ZONA NORTE, SAIA MARROM - POSTAGEM JÁ PUBLICADA;
2-  ZONA LESTE, SAIA AMARELA -
POSTAGEM JÁ PUBLICADA;
3- ZONA LESTE, SAIA ROSA - Digo, deveria ser rosa, e no princípio foi. Mas logo os empresários se recusaram a pintar os ônibus dessa cor, e mudaram por conta a padronização pra um vermelho-alaranjado, a mesma cor do 'Jacaré Scania'. Que coisa, né? Confira como tudo se deu, a POSTAGEM JÁ FOI PUBLICADA;
4- ZONA SUL, SAIA AZUL-ESCURA
- POSTAGEM JÁ PUBLICADA; 
5- ZONA SUL, SAIA AZUL-CLARA - POSTAGEM JÁ PUBLICADA;
6- ZONA SUL, SAIA VERMELHA - POSTAGEM JÁ PUBLICADA, UM ARTICULADO;
7- ZONA OESTE, SAIA LARANJA POSTAGEM JÁ PUBLICADA;
8- ZONA OESTE, SAIA VERDE-ESCURA
- POSTAGEM JÁ PUBLICADA;
9- ZONA NORTE, SAIA VERDE-CLARA - POSTAGEM JÁ PUBLICADA; 

Confira matérias sobre o transporte em São Paulo:

SP: A REVOLUÇÃO NO TRANSPORTE - Evidente que as coisas estão longe de serem perfeitas. Mas comparando ao que era até os anos 90 o transporte público em SP melhorou muito. Somando as redes de metrô e trem suburbano - e precisa somar, pois você acessa ambas pagando uma só passagem - a rede sobre trilhos na Grande SP já iguala o metrô de Nova Iorque/EUA. Os ônibus paulistanos igualmente mudaram da água pro vinho, mesmo que ainda haja espaço pra melhorar bem mais.

- 'SAIA-&-BLUSA': OS ÔNIBUS PAULISTANOS (1978-1991): Essa focando mais especificamente nos ônibus como o nome indica, abordando a pintura livre (até 1978) e as padronizações 'Saia-&-Blusa' (78-92, como dito), 'Municipalizado' (1992-2003) e 'Inter-Ligado' (2003-presente)

A FÊNIX TROVÃO AZUL: DE NORTE A SUL, ENERGIAJAMAIS SE PERDE, SE TRANSFORMA (abordando exatamente a CMTC e sua pintura mais famosa, a 'Trovão Azul'. Não fui só eu que gostei dela. Veja como ela foi copiada no Brasil inteiro, de Porto Alegre a Manaus/AM).


- "CAMALEÃO" 8000 DA CMTC: O 1º TRÓLEIBUS-ARTICULADO DO BRASIL TEVE 2 CARROCERIAS, 6 PROPRIETÁRIOS, 7 (OU 9?) PINTURAS E & NUMERAÇÕES - Fabricado em 1985, saiu de circulação em 2012. Começou Caio e foi re-encarroçado MarcopoloComprado estatal, foi privatizadoIniciou a operação na Zona Leste, foi pra Zona Sul, voltou pra Z/L, de novo pra Z/S, e como o bom filho a casa torna, retornou mais um vez pra Z/L. Ficou sem placa por 15 anos aproximadamente (até a virada do milênio tróleibus em SP e várias outras cidades não eram emplacados), começou na lona, ganhou letreiro eletrônico mas nos fim retornou a lona, ganhou ar-condicionado e portas elevadas a esquerda. Enfim, o bichão é um museu-vivo do transporte paulistano - alias hoje é exatamente isso que ele é, um ônibus-museu - alias hoje é exatamente isso que ele é, um ônibus-museu.

CAPELINHA: RIO, SP, B.H., BELÉM E POA; PLACA NO ALTO: ESTAMOS NO SUDESTE:

Mostra o Sudeste e mais Belém-PAPorto Alegre-RS e até Brasília-DF (onde houve capelinha).


CENAS PAULISTANAS: O CENTRO E A ZONA SUL DE SÃO PAULO EM IMAGENS - Matéria-portal sobre SP, onde estão ancoradas as outras reportagens que já fiz sobre a cidade; falo um pouco da modernização do transporte igualmente.

O melhor e o pior do Brasil, a poucas quadras de distância um do outro. O Centrãoque está com muitos moradores de rua e diversos outros problemas típicos de uma metrópole desse porte;

E ali do ladinho a “Cidade Verde”, os Jardins, a Paulista, Higienópolis, e o começo das Zonas Oeste e Sul, região que ao lado da Orla do Rio é onde mais concentra elite e alta burguesia no Brasil.

A modernização da rede de transportes é mais uma vez abordada no relato.

Reportagens sobre o interior e litoral de SP:

- BAIXADA MULTI-MODAL: BONDE MODERNÍSSIMO (VLT), BONDE ANTIGO, ÔNIBUSELÉTRICOS E A DÍSEL, MICROS BRANCOS E VANS QUE SOBEM OS MORROS  (O transporte em Santos e região)


- PRAIA, MORRO, CANAL & CASA DE MADEIRA: ISSO É SANTOS (Relato da viagem a Baixada Santista, abordando diversos aspectos da cidade, entre eles o transporte)

NAS MARGENS DA DUTRA: SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/VALE DO PARAÍBA-SP (matéria sobre a cidade em geral, mas tem uma grande seção sobre os ônibus, contando a história desde a pintura livre nos anos 80 e as duas padronizações nessa última década

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De volta a capital:

– A CIDADE CINZA– fotografando a Zona Leste (fevereiro/18). 
Na verdade o foco se restringe a Vila Carrão (ao lado) e Imediações. Mas não deixa de ser a primeira matéria na Z/L.

-"PIXAI POR NÓIS" - A MARGINAL TIETÊ E A DUTRA (Grande SP, municípios da Capital e o vizinho Guarulhos) 

"Deus proverá"

domingo, 13 de junho de 2021

Tatuquara, Zona Sul: o Terminal que não é terminal (já vi esse filme)

situação tensa: onda de invasões no Extremo Sul continua

 ACESSE A "ENCICLOPÉDIA DO TRANSPORTE URBANO BRASILEIRO"

Autoria própria. Imagens de livre circulação, desde que os créditos sejam mantidos.

Local:

Curitiba-PR.

Data

05/2021.

Viação:

Redentor.

Carroceria:

Caio Apache '4' articulado

Motor:

Mercedes-Benz, traseiro.

Observações:

Primeiro dia útil de operações do Terminal Tatuquara.

 
 
Tatuquara, Zona Sul de Curitiba, maio de 2021. É surreal, mas é real. Depois de um longo atraso – em vários sentidos da palavra – em 29/05/2021 enfim foi inaugurado o Terminal do Tatuquara, populoso bairro da Zona Sul como todos sabem.
 
No entanto foi inaugurado errado. Totalmente errado. Não agregou novas opções de integração. Simplesmente as linhas que passavam perto agora entram no terminal. Resultado? Está vazio.
 
Não há alimentadores exclusivos desse terminal que sirvam as vilas da região nem linhas troncais pro Centro.

No mínimo teria que haver uma linha Tatuquara/Pinheirinho Direto, sem paradas fora desses 2 terminais. Tampouco há. Não se criaram novas opções de integração. Nem se ganhou tempo pra chegar ao Pinheirinho ou – que seria o ideal – direto aos bairros mais centrais. Sendo assim, o Tatuquara não é um terminal, é somente um ‘ponto de parada de luxo’.

Estive no local logo no primeiro dia útil de operações, em 31 de maio de 2021, e comprovei os fatos. O que foi entregue não foi o que a prefeitura prometeu.

Em inúmeras oportunidades foi dito, o próprio prefeito Rafael Greca empenhou a palavra dele várias vezes, que “não seria mais preciso passar pelo Pinheirinho“.

Foi propalado com alarde repetidamente que todas as linhas da regional Tatuquara (que inclui os bairros Campo de Santana e Caximba) se tornariam alimentadoras do Terminal Tatuquara.

Não foi cumprido. E as pessoas percebem isso. O terminal estava vazio, e não, não era porque era o primeiro dia útil de operação. E sim porque ele não oferece as vantagem aos usuários que foram pomposamente anunciadas.
 

Uma passageira que estava na linha Rio Bonito definiu assim: “É só pra dizer que tem terminal, porque na verdade ficou só como um ponto a mais. Não entrou nenhum ônibus novo“.

Caso a prefeitura não corrija e faça do Tatuquara um terminal de verdade, com alimentadores que só parem nele e troncais pros bairros e terminais mais centrais, ele continuará com movimento baixíssimo.

Já vi isso acontecer antes. Uma vez aqui na Grande Curitiba mesmo, em 2009 no Terminal Roça Grande em Colombo, e outra em Florianópolis-SC, em 2003.
 

Faziam nada menos que longos 22 anos que o município de Curitiba não ganhava um terminal de ônibus. O último fora o Caiuá, no CIC (Zona Oeste), que passou a operar em 1999, no milênio passado ainda.

Então esse é um sentido que o Tatuquara demorou pra ficar pronto. Mais de 2 décadas é muito tempo pra uma cidade que não tem nenhuma opção sobre trilhos (nem metrô, tampouco trem ou VLT).

Curitiba aposta todas as suas fichas no modal do ônibus. Mais: com exceção de umas pouquíssimas linhas, essa cidade não tem integração digital, no cartão. Só existe integração física, nos terminais.

Sendo assim, a rede tem que ser ampliada com novos terminais. Mas levou 22 anos pra isso acontecer, e quando aconteceu aconteceu errado (pelo menos por enquanto).

Não foi isso que a prefeitura prometeu. Desde que o Terminal do Tatuquara começou a ser licitado, em 2018, a Urbs assegurou que haveria linhas troncais e alimentadoras.

O que deveria ter sido feito? Uma linha troncal e direta, sem paradas, de preferência até do Tatuquara até o Centro. Mas no mínimo até o Terminal Pinheirinho, ou um tubo da Linha Verde próximo. Onde as pessoas pegariam o Ligeirão (‘BRT’, como agora é chamado pela sigla em inglês) e seguiriam a Zona Central de forma rápida.

Aí as linhas que vão pro Campo de Santana e Caximba (além da V. Tupi em Araucária) deveriam ter sido seccionadas no Tatuquara. Me refiro aos alimentadores Rio Bonito/Pinherinho, Rio Bonito/CIC, Pompéia/Janaína, Rurbana (antiga Pompéia/Rurbana), Caximba/Olaria e Tupi/Juliana (essa última entra em Araucária; no horário de pico há um reforço, a V. Juliana, que faz o mesmo trajeto até a divisa mas não a cruza, o ponto final é na beira do Rio Barigüi que separa os 2 municípios).

Nenhuma linha teve seu trajeto seccionado no Term. Tatuquara, pra ser alimentadora exclusiva desse. Do jeito que está o Tatuquara não é um terminal, e sim um empolado e exagerado ponto de parada.

Igual ocorreu em Colombo, na Zona Norte da Grande Curitiba. O Terminal Roça Grande (esq.) foi inaugurado em 2009, igualmente só como um exótico ponto de parada.

As linhas que passavam em frente passaram a entrar nele, mas não haviam opções relevantes de integração. Ficava vazio, todo mundo viu que não tinha utilidade. Levaram 7 anos pra corrigir.

Da mesma forma em Florianópolis, em 2003: havia um terminal que era só um ponto de parada das linhas que passavam em frente a ele, não tinha linhas alimentadoras nem troncais

E nesse caso não houve correção, esse – o Term. Saco dos Limões, na Ilha – e outros 2 terminais no Continente – Capoeiras e Jd. Atlântico – eram redundantes e tiveram vida curta, duraram poucos meses e encerraram as atividades.

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Ver que o terminal não funciona como devia foi triste. Não foi, porém, o único choque da ida a Extremidade da Zona Sul.

Já no bairro do Tatuquara mas antes do terminal constatei uma invasão surgindo. E bem grande, já deve estar perto de mil famílias.

 

Matérias sobre a região, as Zonas Sul e Oeste de Curitiba, que vêm passando pela onda de invasões.

- TATUQUARA, ZONA SUL: O TERMINAL QUE NÃO É TERMINAL - Radiografia completa do que foi resumido acima, o funcionamento errôneo do terminal e a invasão. 

- A CURITIBA QUE NÃO SAI NA T.V.: COMPLEXO DA CAXIMBA, PONTA DA EXTREMIDADE SUL (Mostro a situação do bairro, que teve grande invasão em 2010, bastante ampliada desde então. Com uma pincelada no transporte coletivo).

Buraco do Tatu(setembro de 2014): bem-vindo a Extremidade Sul da cidade, o bairro do Tatuquara. Pra quem não conhece Tupi-Guarani, "Quara" significa 'buraco'. E 'Tatu' é tatu mesmo.

Expresso do Ocidente: Caiuá e imediações – CIC, S. Miguel e Augusta (junho de 2019).

Em 2015 houveram 3 invasões-gêmeas na divisa entre o CIC e o São Miguel. Estive lá pra documentar. Em maio de 19 retornei novamente munido de câmera pra acompanharmos como está a situação (ao lado). A região ganhou notoriedade nacional quando em dezembro de 18. Na ocasião um incêndio criminoso destruiu 300 casas na favela, como vocês devem ter visto na mídia.

Curitiba Cresce pro Sul (mais uma compilação de material, publicado entre 2010 e 2014):

A Zona Sul tem 37,5% da população de Curitiba. Dos 10 bairros mais populosos, 6 ficam na Zona Sul, e mais uma pontinha do CIC também é na Z/S.

Agora reportagens do transporte curitibano:

Aqui retrato a história do modal ‘Expresso’, desde sua criação em 1974Você sabe quantas cores o Expresso já teve em Curitiba?

Foram 4, começou vermelho, já tentaram fazer Expressos laranjas (dir.), cinzas (esq.) e azuismas sempre voltam a ser vermelhos.



(Radiografia completa, todos os modais: Expressos, ConvencionaisIntrer-Bairros, Alimentadores, Circular-Centro, Ligeirinhos, e mesmo outros que já foram extintos.)
 

DE CURITIBA PRO MUNDO

DO MUNDO PRA CURITIBA

Mostram, respectivamente, ônibus que começaram na capital do PR e depois foram vendidos pra outras cidades do mundo; E, inversamente, bichões que primeiro rodaram em outras terras e depois vieram pra cá.

De 2015 pra cá o sistema metropolitano da capital do PR passou a ser grande importado de busões usados. Isso é domínio público. Agora segura essa bomba: flagrei um Caio Gabriela Expresso operando na Costa Rica, América Central. O letreiro diz “020-Inter-Bairros 2”, entregando que ele é oriundo daqui de Curitiba.

Outra raridade postada na mesma reportagem: já na pintura do ‘Municipalizdo’ de SP. Letreiro: “203-Sta. Cândida/C. Raso”, articulado também ex-curitibano evidente.

E, o tema dessa postagem, Ligeirinho de Curitiba em plena Nova Iorque/EUA. A linha é ‘Lower Manhattan’.

Calma, como dito foi somente por uma semana que eles rodaram lá. Uma exposição do novo sistema que estava sendo implantado aqui. Só um espetáculo teatral, resumindo.

- OS "CURITIBOCAS" - Desenhos de Curitiba, inclusive de um bi-articulado em frente ao Passeio Público.




Mais reportagens abordando o transporte Curitibano.


ANTES & DEPOIS: FROTA PÚBLICA DE CURITIBA: Entre 1987 e 88, a prefeitura encomendou 88 articulados, que vieram pintados de laranja.

Usei seu trabalho como base pra fazer uma matéria em minha página, acrescentando mais fotos e informações. 

Tudo somado, os 88 busos eram nessas configurações:
– 12 Caios Amélia (11 Scania e 1 Volvo)
– 26 Marcopolos Torino (todos Volvo)
– 50 Ciferal Alvorada (idem, 100% Volvo).

Vendo pelo fabricante de motor, repetindo, foram 11 Scanias (todos eles Caio Amélia e com o eixo a frente da porta) e 77 Volvos (sendo 1 Caio Amélia, 26 Marcopolos Torino e 50 Ciferal Alvorada, todos com o eixo na posição ‘normal’, atrás da porta).

Esse é focado nos ônibus. Falo bastante da cidade de Curitiba, principalmente de um fato curioso:Azul é a cor mais comum de ônibus pelo mundo afora.
No entanto, só em 2011 a capital do Paraná foi ter busos nessa cor. A vai durar pouco. Os ‘ligeirões’ comprados a partir de 2018 voltaram a ser vermelhos.

Assim, em algum momento na década de 20, a frota azul adquirida em 2011 será substituída.

Curitiba deixará então de ter busos celestes, e então nãos os terá nem no municipal tampouco no metropolitano. Alias esse tema já nos leva a próxima matéria.

Aqui retrato a história do modal ‘Expresso’, desde sua criação em 1974Você sabe quantas cores o Expresso já teve em Curitiba?

Foram 4, começou vermelho, já tentaram fazer Expressos laranjas (dir.), cinzas (esq.) e azuismas sempre voltam a ser vermelhos.

As próximas 3 matérias retratam Colombo, na Zona Norte da Grande Curitiba.

– VIAGEM PRO PASSADO: A GARAGEM DA VIAÇÃO COLOMBO, ANOS 80 - Quando ainda era pintura livre, e a viação era grande cliente da Caio (depois ela ficou 20 anos sem adquirir Caios 0km).

Ficou pronto em 2006, mas ficou 3 anos fechado, só sendo inaugurado (de forma errada) em 2009.
Somente em 2016 o Roça Grande se transformou num terminal de verdade.
Com linha troncal sendo feita por articulado e linhas alimentadoras com integração de fato.
Fotografei um articulado Caio ex-BH chegando no Terminal Roça Grande vindo do Centrão de Ctba. .  Isso nos leva as duas próximas matérias.

Até 2015, a prefeitura de Curitiba controlava também boa parte do transporte metropolitano.
Então era proibido trazer ônibus usados, tinha que ser sempre 0km.
Nesse ano houve o rompimento. As linhas inter-municipais voltaram pra alçada do governo do estado.
Com isso, Curitiba passou a ser grande importadora de busões de outros estados.

Um busão do Recife foi vendido primeiro pra Aracaju-SE.
Onde operou sem repintar por conta de uma homenagem que uma viacão sergipana faz a Pernambuco.
Depois veio pra Grande Curitiba, sendo enfim repintado no padrão metropolitano.
E assim, no bege da Comec, foi deslocado pra Itajaí/SC.
Mostro vários outros exemplos que nas viações metropolitanas a importação de ônibus usados virou rotina em Curitiba.
Especialmente entre os articulados, mas chegou ma leva de ‘carros’ curtos também.

– LINHA TURISMO: A CURITIBA QUE SAI NA T.V. - Na postagem conto a história completa desse modal.
Desde o tempo da ‘jardineira’ “Pro-Parque” e da linha “Volta ao Mundo“, que foram suas predecessoras. Passando pelo momento que a Linha Turismo ainda era feita com velhos ônibus de 1-andarA Linha Turismo não era vista com tanta importância.
Por isso os ‘carros’ que nelas serviam eram aposentados das linhas convencionais, reformados pra mudarem as janelas e os bancos. Só depois chegaram os busões 0km especialmente pra Linha Turismo; Primeiro ainda com 1 andar mesmo, e mais recentemente os famosos 2-andares.

"Deus proverá"