domingo, 26 de janeiro de 2020

a Cidade de Floriano não está mais Desterrada

https://omensageiro77.wordpress.com/2015/09/29/a-cidade-de-floriano-nao-esta-mais-desterrada/


Autoria própria. Imagem de livre circulação, desde que os créditos sejam mantidos.
Local: 
Florianópolis-SC. 
Data:
06/15.
Viação:
??? 
Carroceria:
Marcopolo Viale.
Motor:
???
Observação  
Foto tomada no Centro. 

Florianópolis, junho de 2015. Marcopolo Viale cumpre linha pro Morro da Cruz. Pintado na nova padronização que foi instituída em 2014. Toda a frota da cidade, todas as linhas de todas as empresas portanto, usam essa pintura única. 

Alias a viação não vem grafada no veículo. Dessa forma, só de olhar a imagem não sabemos de que empresa é.

Pra quem não conhece geografia da região, Fpolis. é formada por uma parte continental e pela Ilha de Santa Catarina. 


No meio da Ilha está o Maciço do Antão, uma cadeia de montanhas onde fica o Morro da Cruz. No pico dele ficam as torres de TV e rádio. Boa parte das encostas está favelizada.

Portanto é um buso 'Sobe-Morro', serve as 'comunidades' que ficam em suas ladeiras. No passado, esse tipo de linha que atendiam essas partes mais humildes da cidade eram mais baratas, tinham uma 'tarifa social'. Não sei se essa política ainda está em vigor.

Seja como for, o dia glorioso afinal chegou, acabando com duas décadas de espera martirizante: Florianópolis enfim re-padronizou a pintura de seus ônibus.

Constatei pela internet em maio de 2014, e confirmei ‘in loco’ um ano depois, em junho de 15. A partir de agora os veículos da capital catarinense terão que ser pintados todos iguais, azuis e brancos.

Florianópolis era a única capital brasileira em que havia ocorrido uma des-padronização na pintura dos ônibus.

Ou seja, o único lugar em que um dia houve a obrigação das viações adornarem seus veículos no modo determinado pelo poder público (e não ao bel-prazer) e no entanto esse ganho fundamental pra cidadania havia sido revertido. 

A única cidade que padronizou mas depois despadronizou. Corrigindo esse erro histórico, agora re-padronizou. E olhe que Floripa começou bem. Como já escrevi muitas vezes:


Nessa época, no finzinho de seu regime os militares investiram maciçamente em transporte urbano. Padronizando a pintura nas cidades de Brasília-DFGoiânia, São Paulo/Capital, Campinas-SPBelo Horizonte, Florianópolis,  Curitiba e Porto Alegre-RS, entre outras.

Alias Brasília, Campinas, Florianópolis e Porto Alegre adotaram a mesma pintura: fundo branco com uma faixa horizontal que tinha a cor definida conforme a parte da cidade que aquela linha servisse.

Mas, independente de qual padronização foi adotada, apenas em 3 capitais, Goiânia, Floripa e BH, o benefício abarcou tanto os ônibus municipais quanto os que servem a Região Metropolitana, repetindo.

Vieram os anos 90, e as cidades entenderam que a padronização é inevitável, pois é infinitamente melhor pro usuário. Assim, novas capitais também adotaram a pintura única.

Como exemplo Fortaleza-CE, Belém-PA,  São Luiz-MA (da pintura dos ônibus dessas 3 eu falo melhor nessa mensageme nessa outra radiografia completa de Fortaleza, incluindo ônibus, metrô, trem de subúrbio e VLT), Campo Grande-MS, Recife-PEVitória-ES, Maceió-AL. Em alguns casos incluindo também os veículos metropolitanos. 

Curitiba, logo no começo da década de 90, fez o que Floripa, BH e Goiânia já haviam feito, também padronizou seus metropolitanos (veja como eles eram na pintura livre), no que foi seguida por São Paulo, Porto Alegre, etc.

Porém, na mesma época (meio dos anos 90), Florianópolis regrediu: voltou a ter pintura livre. Foi um caso inédito, e indescritivelmente triste de reversão de cidadania, do interesse público abertamente se dobrar ao grande capital.

E agora a pintura foi repadronizada em Floripa. A Cidade-Desterro foi re-incorporada, no tempo e no espaço. Agora seguirá o modelo brasileiro de padronização e modernização da frota de ônibus.

Como sabe, a atual Florianópolis se chamava ‘Desterro’, porque a ilha era uma espécie de prisão onde eram exilados os 'inimigos do rei', no caso brasileiro do imperador. 

Por duas décadas (1994-2014) teve novamente pintura livre. Quando até mesmo o Rio de Janeiro e Manaus já haviam padronizado

(Digo, o Rio de fato padronizou a pintura na primeira metade da década de 10, mas na segunda metade da mesma década boa parte da frota foi despadronizada com a desculpa que os "ônibus com ar-condicionado não precisam ter pintura padronizada".

Dialética que só existe no Rio, em todas as outras cidades os veículos com ar seguem a padronização. Assim, se Florianópolis havia sido a primeira capital a despadronizar a pintura, o Rio foi a segunda.)

De qual quer forma, em SC não mais. Florianópolis não está mais “desterrada”, foi re-incorporada, no tempo e no espaço. Deixou de ser a ‘ovelha negra’. Os ônibus agora são azuis e brancos. Todos eles.

Matéria levantada pra rede diretamente da Grande Florianópolis (bairro Forquilhas, São José, Continente, Região Metropolitana).

Reportagens sobre o tema, começamos pela capital Floripa:
  • (Radiografia completa do transporte 'manezinho', com dezenas de fotos: da pintura livre a padronizada, a volta a pintura livre, ao novo retorno a padronização)

     

    Sobre Joinville, maior cidade do interior:

     - O TRANSPORTE JOINVILLENSE - DOS MONOBLOCOS E AMÉLIAS A ERA 100% BUSSCAR, A ERA PÓS-BUSSCAR

    Em azul e branco de costas Thamco da Transtusa na pintura livre em Joinville anos 80 (fonte da foto: portal SFS Ônibus).

    Até que em 1987 a Busscar - ainda chamada Nielson' - começa a produzir veículos urbanos. 

    Por duas décadas, a frota joinvillense foi 100% Busscar, valorizando a marca ‘da casa’. 

    Todo amarelo, o articulado Busscar na pintura padronizada sai do Terminal (prov. o Central) em Jvlle.  .

    Como todos sabem, a Busscar foi um símbolo da indústria de Joinville, de Stª Catarina e do Brasil

    Só que com a falência, as viações da cidade precisaram encontrar outras alternativas.

    .............

    Agora os textos sobre as cidades de forma geral, abordando além dos ônibus: 

    - BLUMENAU, A "ALEMANHA BRASILEIRA:

    A cidade mais alemã do Brasil (certamente entre as grandes e médias, que têm mais de 300 mil habitantes).

    Acima: casas em ‘enxaimel (modelo de construção típico alemão) na Beira-Rio: isso é Blumenau.

    Agora, toda moeda tem duas faces. O lado menos conhecido de Blumenau é que de seus 300 e poucos mil moradores cerca de 60 mil vivem em ocupações irregulares nos morros.

    Ao lado o morro da Rua Araranguá, no bairro Garcia próximo ao Centro: isso também é Blumenau.

  • ILHA DA MAGIA - E CONTINENTE TAMBÉM: GRANDE FLORIANÓPOLIS, SC 

    Relato geral sobre a cidade, abordando não apenas o transporte, mas falamos também sobre isso, da volta do livre pro padronizado, cliquei várias cenas mostrando a transição.

     

    - “¡ BAMOS A LA PLAYA !” - CANASVIEIRAS E BEIRA-MAR NORTE, FLORIANÓPOLIS

    Voltamos a capital. A matéria principal sobre Fpolis., chamada 'Ilha da Magia', havia sido feita no inverno, em junho de 2015.

    Estava frio e não teve então jeito de ir ao mar

    Como era de se esperar pela época do ano.

    Um ano e meio depois, voltei a Floripa em pleno verão. Estava quente, bem quente.

    Vi uma Praia de Canasvieiras lotada, tanto de brasileiros quanto de argentinos, uruguaios e paraguaios

    Na foto acima note o camelô com a bandeira da Pátria Amada e do Uruguai no mesmo mastro - havia atambém a da Argentina, que não apareceu.

- JOINVILLE, TERRA AMADA & QUERIDA - Não é “a maior cidade de SC”, como muitos dizem. 

A Grande Florianópolis é quem ocupa esse posto, dizendo mais uma vez.

Ainda assim, Joinville é a maior cidade do interior, município mais populoso de todo estado, seu pulmão industrial. Por isso o maior PIB catarinense – o dobro da capital Fpolis.!

Seu cartão-postal mais famoso está logo na entrada da cidade, é obviamente o portal visto acima.
 

 ''MAR A VISTA'': O LITORAL NORTE DE SC: Bombinhas e Barra Velha

Publicado em setembro de 2016, com o material sobre Bombinhas. Atualizado em novembro de 2017, mostrando Barra Velha.

Ainda na estrada já vemos as famosas baleias, num hotel na BR-101 em Barra Velha.

..........

Paraná e Santa Catarina dividem duas “cidades-gêmeas“:  

Em ambos os casos um município em cada estado, mas formando uma única cidade. 

Se preferir uma região metropolitana bi-estadual. Daí o título das matérias:

- ''RIO-MAFRA'': 1 CIDADE, 2 ESTADOS (Paraná/S. Catarina) - Rio Negro/PR + Mafra/SC

Na foto acima vemos a placa da auto-escola 'Rio-Mafra':
Esse anúncio no Centro de Mafra mostra como a cidade é conhecida. E ao lado a ponte velha que liga Mafra e Rio Negro.
 

Publicado originalmente apenas com um desenho em dezembro de 2014.

Em julho de 2018 reformulado pra se tornar uma reportagem sobre a cidade.

Ao contrário de Rio-Mafra, em “Porto União da Vitória” não é o rio quem divide os municípios (e os estados).

Assim você pode pisar em SC e PR – simultaneamente (esq.).



"Deus proverá"

domingo, 19 de janeiro de 2020

Tá de Ressaca? Então peça Desculpas!



Imagens pertencente ao portal Ônibus Brasil. Créditos mantidos. Visite as fontes.

Local:
Atibaia-SP.
Viação:
Atibaia-São Paulo (esse era o nome antigo, depois passou a assinar só como 'Atibaia').
Data:
1ª ou 2ª década do século 21.
Carroceria:
Comil.
Motor:
O primeiro é VolksWagen.
Observação:
Na foto de cima linha municipal. Abaixo inter-municipal 'Suburbana' regulada pela Artesp, por isso a letra 'S' no vidro.

Atibaia, interior de São Paulo (“Terra das Flores e do Morango”, daí a decoração na lataria do veículo). 

Dois busões Comil da Viação Atibaia com letreiros inusitados. O primeiro diz 'Ressaca', e o outro pede 'Desculpas'.

Deus é um cara gozador e adora brincadeiras", diz uma música famosa.

Quando Deus Quer É Assim”, ensina a sabedoria popular.

Bem, o Cara Gozador quis que esse Filho seu (minha humilde pessoa no caso) fosse busólogo.

E pela busologia comprovei, ainda mais uma vez, que o Pai-Mãe Eterno de fato tem uma veia pro que só poderíamos denominar “Ironia Divina”.

Em Atibaia existe uma linha de ônibus curiosa.

Chamada “Ressaca via Hospital”. Irônico, sem dúvidas.

Deus é um cara gozador”….

O letreiro eletrônico sumiu com o “via Hospital”, tolhendo um pouco da Ironia Divina.

Em compensação se desdobrou em outra manifestação, ainda mais irônica:

O bichão pede “Desculpas”. Tá bom pra ti ou quer mais?????? Pombas….
……..


Notas: a Viação Atibaia já encerrou a operação nas linhas municipais da cidade que a nomeia

Outra coisa, antigamente ela assinava sua frota como “Atibaia-São Paulo”.

Indicando com isso sua área de atuação, e nesse caso também sua principal linha.

Seguindo uma tradição no estado de São Paulo: no Litoral existiu a Viação Santos-São Vicente”.



Assim como a Viação “Atibaia-São Paulo” virou apenas “Atibaia”, a “Jacareí-São José” (referência a S. J. dos Campos, evidente) se tornou somente “Viação Jacareí”.

Matérias sobre o tema (após as ligações há mais uma foto, do busão pedindo 'Desculpas'):


Embora conheça bem Atibaia porque visitei a cidade inúmeras vezes, ainda não fiz matéria específica sobre ela. Seguem então as reportagens sobre transporte coletivo no estado de São Paulo. Começando pela capital:

-  SP:A REVOLUÇÃO NO TRANSPORTE - Evidente que as coisas estão longe de serem perfeitas. Mas comparando ao que era até os anos 90 o transporte público em SP melhorou muito. Somando as redes de metrô e trem suburbano - e precisa somar, pois você acessa ambas pagando uma só passagem - a rede sobre trilhos na Grande SP já iguala o metrô de Nova Iorque/EUA. Os ônibus paulistanos igualmente mudaram da água pro vinho, mesmo que ainda haja espaço pra melhorar bem mais.

- 'SAIA-&-BLUSA': OS ÔNIBUS PAULISTANOS (1978-1991): Essa focando mais especificamente nos ônibus como o nome indica, abordando a pintura livre (até 1978) e as padronizações 'Saia-&-Blusa' (78-92, como dito), 'Municipalizado' (1992-2003) e 'Inter-Ligado' (2003-presente).

- A FÊNIX TROVÃO AZUL: DE NORTE A SUL, ENERGIA JAMAIS SE PERDE, APENAS SE TRANSFORMA (abordando exatamente a CMTC e sua pintura mais famosa, a 'Trovão Azul'. Não fui só eu que gostei dela. Veja como ela foi copiada no Brasil inteiro, de Porto Alegre-RS a Manaus/AM).

- "CAMALEÃO" 8000 DA CMTC: O 1º TRÓLEIBUS-ARTICULADO DO BRASIL TEVE 2 CARROCERIAS, 6 PROPRIETÁRIOS, 7 (OU 9?) PINTURAS E & NUMERAÇÕES - Fabricado em 1985, saiu de circulação em 2012. Começou Caio e foi re-encarroçado Marcopolo. Comprado estatal, foi privatizado. Iniciou a operação na Zona Leste, foi pra Zona Sul, voltou pra Z/L, de novo pra Z/S, e como o bom filho a casa torna, retornou mais um vez pra Z/L. Ficou sem placa por 15 anos aproximadamente (até a virada do milênio tróleibus em SP e várias outras cidades não eram emplacados), começou na lona, ganhou letreiro eletrônico mas nos fim retornou a lona, ganhou ar-condicionado e portas elevadas a esquerda. Enfim, o bichão é um museu-vivo do transporte paulistano - alias hoje é exatamente isso que ele é, um ônibus-museu - se houvesse espaço, ele estaria no 'Museu da CMTC' aqui retratado.

-  CENAS PAULISTANAS: O CENTRO E A ZONA SUL DE SÃO PAULO EM IMAGENS - Matéria-portal sobre SP, onde estão ancoradas as outras reportagens que já fiz sobre a cidade; falo um pouco da modernização do transporte igualmente.

Santos e região:


"Deus proverá"

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Cutcsa: jardineira em Montevidéu, Uruguai



Imagem pertencente ao portal ‘Buses Urbanos Chile’. Créditos mantidos. Visite as fontes.

Local:
Montevidéu/Uruguai.
Viação:
Cutcsa – Cia. Uruguaia de Transportes Coletivos S.A. (grafia aportuguesada).
Data:
Década de 80 (no máximo começo de 90) do século 20.
Carroceria:
???
Motor:
Mercedes-Benz.
Observação:
Pelo número de 'folhas' (divisões) em cada porta, 4 em cada, esse veículo deve ter sido produzido nos anos 70.

Montevidéu, Uruguai, anos 80 (ou talvez início dos 90). Velha jardineira da Cutcsa em ação, quando o Uruguai ainda tinha esse tipo de veículo, o que não é mais realidade a muito.

Como todos sabem, trata-se de ônibus encarroçados sobre chassi de caminhão.

Um dia, foram dominantes em toda América Hispânica. Na Colômbia, México, Panamá (e toda América Central), Paraguai, Peru, etc., ainda eram comuns até o meio da década de 10 desse século 21.

Chile, Argentina e Uruguai foram os primeiros a substituir as jardineiras pelos ônibus normais, iguais aos que vemos no Brasil e resto do mundo. Portanto a foto acima é antiga.

Veja: é da Cutcsa, a ‘Cia. Uruguaia de Transporte Coletivo S.A.’, a maior viação de Montevidéu. E sua frota também ostenta a configuração em azul-&-vermelho.

Que são as cores nacionais de vários países como França, Reino Unido, EUA, Paraguai e muitos outros; e também do Uruguai.

Sim, a bandeira atual, civil, do Uruguai é apenas azul e branca espelhando a argentina.

Mas a bandeira de guerra uruguaia, com a qual ele se tornou independente do Brasil, é tricolor, incluía o vermelhoTodos os movimentos nacionalistas uruguaios, sejam de direita ou esquerda, ostenta a cor rubra em sua parafernália exatamente por isso.

É pela mesma razão que o Nacional é tricolor e inclui o vermelho. Trata-se do primeiro clube ‘crioulo’ da América. Daí seu nome, o ‘Nacional do Uruguai’. Foi fundado por uruguaios, e não por espanhóis (ou ingleses, ou italianos, ou alemães) que morassem no Uruguai.

Ou seja o 1º que foi fundado por americanos aqui nascidos. E não por europeus colonos (‘Americanos’ se refere, sempre, ao continente América – o que é natural dos EUA é ‘ianque’ ou ‘estadunidense’).

Seja como for, o Nacional é tri-campeão da Libertadores da América. Seu arqui-rival Penharol (eu traduzo tudo pro português) tem 5 canecos continentais, façanha que nenhum clube brasileiro possui (quando escrevo, em 2020, São Paulo, Santos e Grêmio, os maiores vencedores da Liberta em nossa Pátria Amada, igualam o Nacional com 3 conquistas).


Falamos até um pouco sobre futebol, saindo um pouco do escopo do transporte. Mas tá valendo, né?

Matérias relacionadas ao tema:

- "NIRVANA SOBRE PNEUS: A AMÉRICA E A ÁSIA SÃO UMA E A MESMA" (Radiografia do transporte nesses dois continentes; se você nunca estudou o tema a fundo, vai se impressionar com tantas semelhanças);

- "A ESTRELA BRILHA: BONS TEMPOS . . ." (Sobre os caminhões Mercedes-Benz, óbvio, e esse ônibus é um caminhão em tudo - veja até o motor saltado a frente - menos na carroceria);

- CHARRÚA -Postagem curta (que contem essa jardineira) sobre o Uruguai, afinal eu nunca fui fisicamente a esse país. 

Então vamos as reportagens completas sobre transporte dos países da América Latina (e África) que eu visitei:

- DA 'GUERRA DOS TÁXIS' AO GAUTREM: O TRANSPORTE NA ÁFRICA DO SUL, DA BARBÁRIE AO MODERNÍSSIMO


- AMPLO METRÔ, 'TREM-LIGEIRO' (VLT), METRO-BUS, "CAMINHÃO" DISCO-BUS, TRÓLEIS E MICROS VERDES, BUSOS ROSAS, TÁXI-ALIMENTADOR: O TRANSPORTE NO MÉXICO


O TRANSPORTE, SÍNTESE DA FÊNIX COLOMBIANA

- PONTO FINAL: O SONHO DO TRÓLEI-CAFÉ AMERICANO DUROU POUCO
(Falo de um restaurante que funcionou num tróleibus restaurado de Bogotá; aproveitamos pra relembrar quando Bogotá e Medelím tiverram ônibus elétricos operando)

- MODERNÍSSIMO METRÔ, MICROS CAINDO AOS PEDAÇOS, 'ONÇAS' E O TÁXI-LOTAÇÃO: O TRANSPORTE EM S. DOMINGO - REPÚBLICA DOMINICANA

TRÓLEIBUS DO CHILE: 70 ANOS NA PISTA
Mensagem específica sobre Valparaíso

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Fenemê, o Pioneiro dos Pioneiros



Origem da imagem: internet. Placas de Ponta Grossa-PR.

A FNM, conhecida na boca do povo como ‘FeNeMê’, foi a primeira fabricante de caminhões do Brasil.

Mais que isso, a primeira indústria automobilística nacional, incluindo todos os modais de veículos.

A companhia montava no Brasil sob licença caminhões e ônibus das marcas italianas Alfa-Romeu e Fiat (Iveco). Tinha sua unidade fabril em Duque de Caxias, no Grande Rio.

Vamos reproduzir aqui algumas informações obtidas na página da Fenemê da enciclopédia Lexicar.

Foi fundada em 1942, em plena 2ª Guerra Mundial, ainda na era Vargas. A ideia inicial é que a FNM produzisse motores de aviões, pra ajudar no esforço bélico. Mas em 1945 acabam tanto a 2ª Guerra quanto o governo de Getúlio. Resultando que o projeto de ser uma fábrica de aviões é abandonado.

A FNM entra num período de indefinição. Pensaram em vender a companhia. Mas houve forte oposição a ideia, assim por hora descartada. Pra não ficar ociosa, ela começa a fabricar diversos produtos, de geladeiras a tratores.

Em 1949 a Fenemê passa a produzir caminhões, sendo então a 1ª montadora automobilística brasileira, enfatizando de novo. A FNM importava desmontados os caminhões, de uma montadora italiana chamada Isotta Fraschini. E os montava no Brasil. 

Mas no mesmo ano de 1949 a Isotta fecha as portas na Itália, deixando o ramo automobilístico (Nota: ao qual voltaria na década de 60, mas aí a FNM brasileira já não entra na história).

Então falemos dos Fenemês, pois é pra isso que estamos aqui. O FNM 7300 foi o 1º veículo produzido em escala industrial no Brasil. Era ‘bicudo‘ (motor saltado a frente da cabine). O modelo ‘cara-chata’, que caracterizou toda história da FNM, só viria no ano seguinte, em 1950Com a saída de cena da Isotta, em 1950 a FNM assina o contrato com a Alfa-Romeu, que é uma montadorada mesma forma italiana como é domínio público (Outra coisa, óbvio que no original é ‘Alfa-Romeo’, é que eu traduzo tudo pro português).

Seja como for, no início, os caminhões eram importados prontos porém desmontados da Itália. E apenas montados aqui. Tudo vinha de fora, inclusive os pneus. A partir de 1953 começa o processo gradual de nacionalização: as peças que já eram produzidas no Brasil eram compradas de produtores nacionaisAssim se atinge o índice de 45% de nacionalização, incentivando a indústria brasileira.

No meio dos anos 50 a Fábrica Nacional de Motores faz nova tentativa de produzir tratores. E no começo dos anos 60 passa a fabricar automóveisAmbas as iniciativas não renderam os resultados almejados e foram abandonadas.

A partir de 1964, com o início do regime militar, a FNM entra num período de incertezas. Correntes contrárias tentam impor a solução que cada uma delas almeja: de um lado há os que querem fortalecer a companhia, esses são os nacionalistas; Enquanto que outro grupo que só via o viés econômico tenta privatizar a fábrica. A princípio os nacionalistas levam a melhor: em 1965 o índice de nacionalização dos componentes atinge praticamente 97% das peças (93% do valor agregado).

Em 1968, no entanto, a FNM é privatizada. A Alfa-Romeu assume o capital quase integral da cia., mais precisamente 94% – o governo federal mantém 6%. O valor do negócio foi muito baixo, apenas 36 milhões de dólares pra que era a maior fabricante de caminhões do Brasil. Fora muitas facilidades fiscais e alfandegárias, e pagamento a prazo, com carência de 2 anos pra primeira parcela. Segundo alguns, o governo brasileiro simplesmente ‘se livrou’ da Fábrica Nacional de Motores, praticamente “doando-a” a uma trans-nacional, acusam essas vozes.

Seja como for, em 1972, a Alfa-Romeu apresenta duas grandes novidades nos seus caminhões FNM: 1) A carreta com 4 eixos (2 deles sob a cabine), que permite o transporte de 27 toneladasUma solução de engenharia corriqueira na Itália, mas inédita no Brasil;

2) Após muitas décadas, enfim os caminhões F.N.M.’s ganham nova cabineDigo, “nova” de forma relativa. O novo do Brasil era algo já descartado na Europa. A cabine que passou a equipar os Fenemês havia sido usada na Itália entre 1958 e 64Portanto estava em desuso a 8 anos na matriz, mas foi ressuscitada aqui. 

A grande novidade é a seguinteA partir da adoção desse novo desenho, todos os caminhões FNM passam a contar com cabine estendida.

Em 1973, nova reviravolta. A Fiat assume 43% do capital da FNM. Se vai o tradicional logotipo da Fenemê, que fora inspirado no da Alfa-Romeu. Entre 73 e 77, os caminhões são anunciados como Fiat/FNMPorém em 1976 a Fiat assume a totalidade das ações da Alfa na Fábrica Nacional de Motores, passando ela, a Fiat, a ter 94% da empresa o governo brasileiro ainda permanece com 6%. Assim a partir de 77 desaparece qualquer referência a F.N.M. . Os veículos passam a ser assinados somente como “Fiat”.

O tempo passa, e em 1985 a Fiat decide encerrar a produção de veículos pesados em solo brasileiro. É o fim da Saga da Fábrica Nacional de Motores, que se iniciara nos anos 40.

Posteriormente, após o encerramento das atividades da FNM, o mesmo barracão que a sediou abrigou a Ciferal (Cia. Industrial de Ferro e Alumínio). Depois a Ciferal também veio a pique, e foi comprada pela Marcopolo. 

Confira matéria completa sobre a Fenemê, com dezenas de fotos, inclusive dos caminhões Fiat no Brasil e exterior:


 Outras matérias sobre o tema: 

A imagem que ilustra a matéria tem um caminhão emplacado em Ponta Grossa, como dito acima. Essa é uma cidade-polo do transporte graneleiro, que portanto gosta muito de caminhões. 

Além disso, segundo me informaram (não sei se é verdade, mas é verossímil) até pouco tempo atrás quando ainda víamos com frequência alguns Fenemês na pista, o Paraná era o estado do Brasil que mais Amava os F.N.M.'s, e que por isso era o que mais tinha caminhões Fenemês em todo o Brasil. Assim, emendo aqui a matéria sobre PG (embora nela eu não lado dos Fenemês):


"Deus proverá"