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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Zepelim no Céu de Belém? Não, Ônibus-Zepelim nas ruas de Belém!

https://omensageiro77.wordpress.com/2015/02/17/transgenia-busofila-e-automotiva-em-geral/
Imagens publicadas na extinta revista estadunidense 'Life'.

Local:
Belém do Pará.
Data:
1957.
Viação:
Triunfo.
Carroceria:
??? (Em forma de Zepelim).
Motor:
???
Observações:
Notam os trilhos do bonde, então faziam apenas 10 anos que esse modal (o bonde) havia sido desativado, o que ocorrera em 1947. Em 2013, 66 anos após o fim dos bondes em Belém, fotografei parte dos trilhos ainda a mostra no Centro.

Belém, 1957. Matéria da finada publicação ianque mostra os Ônibus-Zepelim que existiam a época na capital do Pará.

Nem é preciso dizer muito. A excentricidade do negócio é auto-explicativa e evidente.

Abaixo, no pé da matéria, há mais uma imagem dele de costas - sob chuva. E se não tiver uma foto da chuva diária não é Belém!
………

Vamos deixar um pouco a busologia de lado e falar sobre aviação, pra entendermos o que esse veículo quis homenagear.
 
Obviamente o busão imita um Zepelim. Pra quem não sabe o que é isso, trata-se de uma mistura entre balão e avião, o antecessor do avião moderno.

O Zepelim foi inventado na Alemanha, no fim do século 19, pelo 'Conde Zepelim', eis a origem de seu nome (eu aportugueso todas as grafias). 

Era, como é notório, um a espécie de balão que tinha motor. Apenas ele não era redondo mas cilíndrico, pra voar de forma dirigida – daí também ser conhecido por 'dirigível'.

O Zepelim era cilíndrico e tinha motor, enfatizando mais uma vez. Portanto ele era direcionado pra onde o condutor (que o manobrava usando lemes, de forma parecida com os barcos) queria, ao contrário dos balões que são redondos e sem motor, portanto voam mais 'ao sabor dos ventos', literalmente. 
 
Os Zepelins foram usados como aeronaves militares, na 1ª Guerra Mundial. Zepelins da Força Aérea Alemã bombardearam a Inglaterra durante o conflito.

Com a Inglaterra vitoriosa e a Alemanha derrotada nesse embate, a construção dos Zepelins (que então já eram usados também na aviação civil entre as metrópoles alemãs) foi embargada.

Em 1926 o embargo foi levantado, e o começo da década de 30 foi o período de ouro dos Zepelins. Eles faziam voos regulares dentro da Europa e entre esse continente e a América. 

Os Zepelins partiam da Alemanha e 3 dias e meio depois chegavam ou aos EUA ou ao Brasil, conforme o caso. No Brasil, pousavam primeiro no Recife-PE e depois seguiam pro Rio de Janeiro, então a nossa Capital Federal. 
 
Vale lembrar que de navio levava-se o triplo do tempo entre a América e Europa, portanto os menos de 4 dias do Zepelim eram considerados uma viagem bem mais curta. 
 
No Centro de Joinville-SC (cidade de colonização alemã, como todos sabem) há uma foto do Zepelim sobrevoando a cidade – mas ele fazia apenas uma viagem de demonstração, e não uma linha regular de passageiros. 
 
Seja como for, em 1937, aí sim em operação numa linha regular de passageiros, um Zepelim pegou fogo quando ia pousar nos EUA. 36 pessoas morreram. Foi o fim dos Zepelins na aviação comercial.
……..


Muitas vezes distante no tempo e no espaço da manifestação original. E nesse caso, até numa dimensão diferente. Aqui está a prova. 

Se de 1930 a 1937 tínhamos com frequência os Zepelins nos céus da Europa, Brasil e EUA, na década de 1950, 20 anos depois portanto, o Zepelim ressurgiu como o 'Ônibus-Zepelim', cortando as ruas de Belém do Pará. 
........

Matérias sobre o tema (abaixo das ligações há mais uma foto do Ônibus-Zepelim). 
"Deus proverá"
https://omensageiro77.wordpress.com/2015/02/17/transgenia-busofila-e-automotiva-em-geral/

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Égua!!! Romeu-&-Julieta com Capelinha!

https://omensageiro77.wordpress.com/2015/11/16/capelinha-rio-sp-b-h-e-poa-placa-no-alto-estamos-no-sudeste/

Imagem pertencente ao sítio Ônibus Brasil. Créditos mantidos. Visite as fontes.
Local:
Belém do Pará.
Data:
Começo da década de 1980.
Viação:
Viação Forte.
Carroceria:
Condor (Ciferal).
Motor:
???
Observações:
“Romeu-&-Julieta”, o 'pai' do articulado.


Belém, primeira metade dos anos 80.  Ônibus da Viação Forte captura duas características do transporte da época.

A primeira é que trata-se de um “Romeu-&-Julieta”: o bichão tem um reboque, é o “pai” do articulado. A vantagem é que o reboque só é engatado no horário de pico, se for o caso. A desvantagem é que precisa ter 2 cobradores, um em cada vagão.

O “Romeu-&-Julieta” foi muito comum em Porto Alegre-RS e no Rio de Janeiro. Existiu também em Florianópolis-SC e, segundo dizem, também em Brasília-DF. Além é claro de Belém.

O segundo traço típico daquele tempo é a 'capelinha'. Trata-se do letreiro menor que vem no teto do veículo, pra informar o número da linha. Foi extremamente popular em São Paulo, Rio de Janeiro e na própria Belém, e em menor escala presente também em Belo Horizonte-MG, Brasília e Porto Alegre.

Em Santos-SP circularam alguns busos com capelinha, mas eles vieram usados do Rio, no Litoral Paulista a capelinha ficou desativada (ao menos as fotos mostram isso). Houveram mais alguns casos esporádicos Brasil afora, por exemplo na Grande Maringá-PR.

Além do Brasil, Grécia e Holanda na Europa, Egito na África e nosso vizinho Uruguai também tiveram capelinha. A Tailândia, que fica na Ásia obviamente, tem capelinha até hoje, sendo atualmente o único país que usa esse adereço, pelo menos até onde sei.

Em Florianópolis em maior escala e também no Rio havia uma 'capelinha invertida', ao invés de sobre o teto ficava sob o mesmo, ou seja, dentro do para-brisas. Mas essa é uma história que contaremos outro dia.

Voltando a imagem de Belém, a busão ainda estava na pintura livre, que vigorou nos anos 80. A Viação Forte optava pelo uni-color amarelo.

Estive em Belém em 1989 e em 2013. Em 89, ainda na pintura livre, a Forte tinha articulados, foi a única viação que vi com esse modelo a época (embora isso seja apenas minha lembrança, pode ser que outras também tivessem, apenas eu não tenha visto). A Forte possuía sanfonados em sua frota, isso tenho certeza.

Nos começo dos anos 90 veio a 1ª padronização de pintura em Belém, no modelo 'Saia-&-Blusa', parecida com a que vigorara em São Paulo até a pouco. Depois veio a 2ª padronização, o buso branco dotado de faixas diagonais com desenhos indígenas.


Matérias sobre o tema: