ACESSE A "ENCICLOPÉDIA DO TRANSPORTE URBANO BRASILEIRO"
Local: |
Curitiba-PR. |
Data: |
1982. |
Viação: |
??? |
Carroceria: |
Caio Carolina '1', o que tinha a frente do caminhão 'Mercedinho'. |
Motor: |
Mercedes-Benz. |
Observações: |
'Mercedinho' oficialmente é o 608-D na numeração da Mercedes. |
Curitiba, 1982. Raríssima imagem da categoria "Vizinhança", que existiu por pouco tempo no início dos anos 80. Como o nome indica faziam linhas curtas no bairro.
A linha Vizinhança do Rebouças (Zona Central), por exemplo, ia do Teatro Paiol ao prédio-sede do DER (Dep. das Estradas) na Avenida Iguaçu.
Era feita por micros na cor branca, com somente uma porta. Nesse caso é um Caio Carolina '1' Mercedes-Benz 608-D, alias a característica do Carolina era ter a mesma frente do caminhão 'Mercedinho'.
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Nas próxs. 9 fotos a história do Circular Centro. |
Na mesma época Curitiba havia acabado de implantar a linha Circular Centro, que também usava micros inteiros brancos - bem, o alinhamento é proposital, afinal o princípio é o mesmo, deslocamentos curtos, de poucas quadras.
Alias na década de 80 o Circular Centro só utilizava Caios Carolinas.
Seja como for, o Vizinhança 'não pegou' e logo foi extinto, ainda no começo dos anos 80. O Circular Centro foi mais longevo, durou 39 anos: implantado em 1981, durou até 2020.
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Esse e o anterior são Carolina ‘1’. |
Começando em 1974 e seguindo na virada pra década de 80, foi um período fervilhante, quando Curitiba revolucionou o transporte coletivo, em escala mundial.
Implantou o sistema de ônibus “Expressos“, que hoje chamam pela sigla em inglês ‘BRT‘.
A frota foi pintada conforme a categoria de linha, modelo que também foi adotado em Belo Horizonte-MG, Recife-PE, Fortaleza-CE, entre as capitais.
E mais Sorocaba e Piracicaba-SP, Londrina e Ponta Grossa-PR, Joinville, Blumenau e Criciúma-SC, e até em Los Angeles-EUA, entre outras cidades.
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Carolina ‘2’, viação Cristo Rei, foto dos anos 90. |
No caso de Curitiba inteira de forma unicolor: Expressos em vermelho, Interbairros verde, Convencionais e Alimentadores em amarelo, Estudantes em azul;
Opcional laranja, e Circular-Centro e Vizinhança eram branco (as últimas 3 categorias feitas por micro-ônibus).
Essa foi a configuração inicial, adotada na virada dos anos 70 pros 80.
Os Convencionais e Alimentadores só traziam na lataria o ‘Cidade de Curitiba’ e a numeração e empresa, no início sem nome da categoria.
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Encostos almofadados, esses micros não tinham bancos. |
Os Expressos vinham com o eixo que atendiam pintado: ‘Leste’, ‘Norte’, ‘Oeste’, ‘Sul’, ‘Boqueirão‘.
(Nota: há dois eixos na Zona Sul, por ela ser a maior de Curitiba.
Como não dava pra colocar ‘Sul-2’ inseriram ‘Boqueirão’, que na época era o bairro mais populoso de Curitiba.)
As demais linhas tinham o nome da categoria escrita na lataria: inter-bairros, Circular-Centro, etc. .
De lá pra cá muita coisa mudou, obviamente. Em 1991 surgem os Ligeirinhos, que são cinzas.
Afora isso, já tentaram mudar 3 vezes a cor dos Expressos:
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Laranja (1987), cinza (1992) e azul (2011). Todas malograram. Eles sempre voltam a ser vermelhos.
Por quase 10 anos Convencionais e Alimentadores compartilharam o amarelo, como dito.
Em 1988 os Alimentadores herdam a cor laranja, que não deu certo implantar nos Expressos.
Por 30 anos Convencionais e Alimentadores usaram pinturas diferentes, amarelo e laranja respectivamente.
Até que a partir de 2018 os Convencionais se tornam igualmente laranjas, voltando a ter serem pintados iguais aos Alimentadores.
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C. Rei deixou de comprar Caio. Esse é Marcopolo. |
Na virada pros anos 90 todos os ônibus passam a ter a categoria escrita:
No ‘Inter-Bairros’ e ‘Circular-Centro’ não muda nada, já havia esse detalhe. ‘Seletivo’ (depois chamado ‘Opcional’) e Vizinhança haviam sido extintos.
Agora ‘Convencionais’ e ‘Alimentadores’ também são identificados assim.
E nos ‘vermelhões’ não há mais o nome da região, todos agora veem assinados como ‘Expresso’.
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Fizemos toda essa introdução pra falar dos ônibus brancos, como o título indica.
No início da padronização 2 categorias ficaram inteira alvas: Circular-Centro e Vizinhança, repetindo.
Em 1982 é criada a linha Zoológico, que saía do Terminal Boqueirão até o referido zoo, no vizinho Alto Boqueirão.
E o Zoológico no início também é operado por veículos brancos, no caso decorado com desenho dos bichos.
Então temos 3 categorias de ônibus brancos em Curitiba. Não por muito tempo, entretanto.
O ‘Vizinhança’ não pegou, e deixou de existir ainda na 1ª metade da década de 80 (tanto que nem fotos deles se acha na internet).
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Micro que pertenceu a 3 viações: Luz, Marechal e Glória. |
A linha Zoológico, passado o furor inicial, passou a ser feitos por Alimentadores na cor normal da categoria (amarelo até 1988, laranja desde então).
Só restou o Circular-Centro. Até que em 1997 é criada a linha Inter-Hospitais, que também usa o branco.
Porém em 2020 tanto o Circular-Centro quanto o Inter-Hospitais são extintos, decretando, dizendo de novo, o fim dos ônibus brancos na cidade.
De todos os busões curitibanos que utilizaram a cor, a Circular-Centro foi a mais longínqua. Foram quase 40 anos, de 1981 a 2020.
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Ônibus elétrico em testes no Circular Centro. |
Tinha 2 sentidos, horário e anti-horário. O primeiro ficou a cargo da viação Nossa Srª. da Luz, o outro da Cristo Rei.
Ambas as empresas usavam o modelo Carolina ‘1’, da Caio – aquele cuja frente era igual a do caminhão 608D o popular ‘Mercedinho’.
O detalhe curioso é que o veículo não tinha bancos, apenas um encosto estofado, chamado pelos ‘piás’ de “banco de vina” (‘vina’ é ‘salsicha’ no ‘curitibês, pra quem não é daqui).
A tarifa era metade das demais linhas.
Quando foi instituída a ficha de vale-transporte o Circular Centro a
aceitava, o motorista que também fazia a função de cobrador dava o
troco.
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Alimentador Vizinhança, liga Terminais Tatuquara e CIC. |
Nos anos 80 o trajeto do horário e anti-horário era igual, apenas em sentidos inversos evidente.
Na década seguinte houveram mudanças. Ambas as empresas operadoras continuaram usando Caio.
Dessa vez o modelo Carolina ‘2’ (esse não tinha o mesmo desenho do simpático caminhão ‘Mercedinho’).
Na década de 90 os trajetos foram diferenciados. O sentido horário continuou com o seu roteiro original.
Entretanto, o anti-horário foi estendido, dos dois lados.
Passando a abranger o começo do Batel a oeste do Centro, e a leste dele a ter um ponto na Rodoferroviária e mais um no Viaduto do Capanema, atendendo portanto o começo do Cristo Rei.
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1982: criada linha Zoológico, no começo branca com os bichos. |
Deus certo. A mudança agregou público a linha. No auge, em 2011, o Circular Centro tinha 5 ‘carros’ no sentido anti-horário, e 3 no horário. A fonte é a própria prefeitura:
“ Segundo dados da Urbs, no sentido horário o movimento mensal de usuários é de aproximadamente 11,5 mil passageiros nessa linha, nas 87 viagens diárias.
Já no sentido anti-horário, são aproximadamente 35 mil pessoas que mensalmente utilizam os micro-ônibus que diariamente realizam 113 viagens. ”
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Agora a Zoológico é feita por Alimentadores laranjas. |
Depois da virada do milênio a Luz se manteve fiel a Caio, dessa vez do modelo Piccolo.
A Cristo Rei não comprou mais da montadora paulista, optando por Marcopolo e Neobus.
Os ônibus passaram a ter bancos normais, e a tarifa, embora menor que a das demais linhas, deixou de ser somente metade da aplicada nas outras categorias.
A Luz acabou soçobrando na “licitação” de 2010.
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Em 1997 surge o Inter-Hospitais, também de branco. |
A linha foi pra Marechal (que posteriormente igualmente também foi absorvia por uma viação maior, a Glória).
O Caio Picollo de placa ALJ-8231, por exemplo, pertenceu a essas 3 viações diferentes.
Tendo ao todo 4 numerações. Foi comprado 0km pela Luz em 2003. Numerado CN010.
Pras
quem não conhece como os ônibus de Curitiba são catalogados, a 1ª letra
indica a viação, ‘C’ é a Luz. A 2ª letra mostra a categoria, ‘N’ é
micro.
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Feita pela viação Luz com Caios Alfas. |
Em 2010 foi incorporado a Marechal, onde a princípio usou o mesmo número CN010.
Pela mesmo dono foi renumerado AN999. ‘A’ é o código da Marechal, e os busos cujo número começa por 900 foram remanejados, de viação e/ou categoria.
Quando a Marechal veio a pique e foi assumida pela Glória, o businho virou o BN999 – vocês já pegaram o jeito, ‘A’ é a letra da Glória, atualmente a maior viação da capital.
Seja como for, na segunda metade da segunda década do novo milênio o público começou a declinar, e em 2020 a linha deixou de existir.
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Quando a Luz faliu a Marechal assumiu. |
Já o Inter-Hospitais era operado pela extinta viação Nossa Sra. da Luz, que usava Caios Alfa e depois Neobus, sempre micrões.
A linha durou 23 anos (1997-2020). No começo fez sucesso.
Eram 2 ‘carros’ na linha, e como o trajeto era menor na ocasião o intervalo entre as viagens era de perto de 40 minutos.
Como o nome indica, foi criado pra ligar os principais centros de atendimento a saúde da cidade.
No entanto, a maior parte dos passageiros era saudável.
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Não utilizavam a linha pra ir a hospitais, e sim pra se deslocar normalmente entre a Zona Central.
Eu mesmo cheguei a pegar o Inter-Hospitais quando era novinho em folha, pra ir do Batel ao Cristo Rei – do trabalho pra casa, sem ver o médico.
Na época tinha um bom movimento. Em 1999 a média era de 517 pessoas transportadas por dia.
Porém o tempo foi passando e a linha foi ficando redundante. Em 2015 foram apenas 82 passageiros diários, queda de 84%.
No meio da década de 10 do séc. 21 reduziram a Inter-Hospitais pra apenas um veículo.
Com isso fazendo com que o intervalo entre uma viagem e outra fosse de impressionantes 1 hora e 40 minutos.
Além disso deixaram de usar ônibus brancos com pintura própria (na época a Luz já havia sido extinta, a Marechal e depois a Glória assumiram, repito).
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Seletivo Jd. Social/Batel, 1º ônibus laranja de Ctba. . |
O ‘carro’ que puxava a Inter-Hospitais passou a ser amarelo, como os outros Convencionais.
Ou seja, era mantida de uma forma praticamente simbólica.
Totalmente descaracterizada, na decoração e número de viagens diárias. Até que em 2020 acabou extinta.
Com isso acabaram os ônibus brancos na capital do Paraná, feito que durou 39 anos, enquanto o Circular Centro existiu de 1981 a 2020.
No decorrer da história a cor foi usada por 4 categorias, sendo que no começo dos anos 80 em 3 simultaneamente: Circ. Centro, Vizinhança e Zoológico.
E por quase 20 anos, de 1997 até (aprox.) 2015 por 2 ao mesmo tempo, o Circular Centro e Inter-Hospitais.
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A ‘Zoológico’ tinha os animais do parque pintados no veículo de tamanho normal.
No Circular-Centro e Vizinhança os micros eram unicolores em alvo.
Justamente queria passar a mensagem que a linha era curta, percorria só algumas quadras.
A linha Vizinhança do Rebouças (Zona Central), por exemplo, ia do Teatro Paiol ao prédio-sede do DER (Dep. das Estradas) na Avenida Iguaçu.
Enquanto que no micrão do Inter-Hospitais o diferencial era a cruz vermelha que é o símbolo universal desse tipo de estabelecimento.
Confira matéria completa:
– CIRCULAR CENTRO, AQUI JAZ: O FIM DOS ÔNIBUS BRANCOS EM CURITIBA
Mais posttagens sobre o transporte coletivo em Curitiba:
Mostram, respectivamente, ônibus que começaram na capital do PR e depois foram vendidos pra outras cidades do mundo; E, inversamente, bichões que primeiro rodaram em outras terras e depois vieram pra cá.
De 2015 pra cá o sistema metropolitano da capital do PR passou a ser grande importado de busões usados. Isso é domínio público. Agora segura essa bomba: flagrei um Caio Gabriela Expresso operando na Costa Rica, América Central. O letreiro diz “020-Inter-Bairros 2”, entregando que ele é oriundo daqui de Curitiba.
Outra raridade postada na mesma reportagem: já na pintura do ‘Municipalizdo’ de SP. Letreiro: “203-Sta. Cândida/C. Raso”, articulado também ex-curitibano evidente.
E, o tema dessa postagem, Ligeirinho de Curitiba em plena Nova Iorque/EUA. A linha é ‘Lower Manhattan’.
Calma, como dito foi somente por uma
semana que eles rodaram lá. Uma exposição do novo sistema que estava
sendo implantado aqui. Só um espetáculo teatral, resumindo.
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Ligeirão na descida do Juvevê, 2018. |
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2021: enfim os Expressos na L. Verde Norte/Leste. |
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Canal Belém na Estação PUC da Linha Verde. |
– 2021: UFA! 14 ANOS DEPOIS, ENFIM INAUGURADA A LINHA VERDE NORTE/LESTE – Incompleta por enquanto (julho de 2021)
A “Linha Verde” é o antigo traçado urbano da BR-116.
Curitiba não é mais a mesma. Antes a cidade inovava: Nos anos 70 e 80 criou - a nível global - o conceito de ônibus "Expresso" (corredores exclusivos, terminais de integração, etc.). Em 1992 foi aqui que começou a rodar o primeiro bi-articulado do Brasil.
Agora…quanta diferença: o corredor da ‘Linha Verde’ começou a ser construído em 2007. Só em 2021 começou a circular um Expresso no trecho Leste/Norte da linha. 14 anos e meio depois.
Ainda assim, incompleta. Só inauguraram 3 novas estações (escrevo em 21): Fagundes Varela, Vila Olímpica e PUC. Ainda faltam mais 5.
Antes tarde que nunca, ao menos agregou novas opções de integração, as estações-tubo F. Varela e PUC são mini-terminais. Onde é possível baldear gratuitamente pra diversas linhas Convencionais, Alimentadores e Inter-Bairros. A esquerda acima o Convencional Canal Belém integrando gratuitamente na Estação PUC (ao fundo o Circo Vostock, que está fixo no local há alguns anos).
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Linhas do Terminal Roça Grande, Colombo. |
- TATUQUARA, ZONA SUL: O TERMINAL QUE NÃO É TERMINAL -
(atualizado em maio de 2021, quando da inauguração do mesmo) –
Não é terminal porque foi planejado errado, não tem linhas troncais (Ligeirinho nem Expresso) tampouco Alimentadores próprios.
Não agregou novas opções de integração. Resultado? Está vazio, grosseiramente sub-utilizado, pois não é útil aos moradores da região.
Exatamente como aconteceu antes na Zona Norte, em Colombo.
Refrescando a memória, o Terminal Roça Grande ficou pronto em 2006, mas só foi inaugurado - de forma erra em 2009.
E somente em 2016 se tornou um terminal de verdade, com linhas troncais feitas por articulados e alimentadores próprios. Faça as contas, 10 anos pra corrigir. Espero que no Tatuquara o ajuste leve menos que uma década. Bem menos.
Falo também da grande invasão que ocorreu no Tatuquara em 2020 - antes da eleição como é tradição em Curitiba - próximo a Vila Zanon. Situação tensa na Zona Sul.
"Deus proverá"
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